08 jan

Língua Portuguesa: Pontuação

Resumo sobre pontuação, para você que vai fazer vestibular, concurso, prova de Língua Portuguesa.

Pontuação

Os sinais de pontuação são sinais gráficos empregados na língua escrita para tentar recuperar recursos específicos da língua falada, tais como: entonação, jogo de silêncio, pausas, etc. Divisão e emprego dos sinais de pontuação:

1) Ponto ( . )

a) Indicar o final de uma frase declarativa.
Exemplo: Lembro-me muito bem dele.

b) Separar períodos entre si.
Exemplo: Fica comigo. Não vá embora.

c) Nas abreviaturas.
Exemplo:  Av.; V. Ex.ª

2) Dois-pontos ( : )

a) Iniciar a fala dos personagens:
Exemplo: Então o padre respondeu: – Parta agora.

b) Enumerações ou sequência de palavras que explicam, resumem ideias anteriores.
Exemplo: Meu amigos são poucos: Fátima, Rodrigo e Gilberto.

c) Antes de citação:
Exemplo: Como já dizia Vinícius de Morais: “Que o amor não seja eterno posto que e chama, mas que seja infinito enquanto dure.”

d) Esclarecimento:
Exemplo: O Pedro está prestes a realizar um sonho: passar no concurso.

3) Reticências ( … )

a) Indicar dúvida ou hesitação do falante.
Exemplo: Sabe… eu queria te dizer que… esquece.
Eu gostei da nova casa, mas do quintal…

b) Interrupção de uma frase deixada gramaticalmente incompleta.
Exemplo: -Alô! João está? – Agora não se encontra. Quem sabe se ligar mais tarde…

c) Ao fim de uma frase gramaticalmente completa com a intenção de sugerir prolongamento de ideia.
Exemplo: “Sua vez, alva e pura como um foco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa…” (Cecília – José de Alencar)

d) indicar supressão de palavra (s) numa frase transcrita.
Exemplo: “Quando penso em você (…) menos a felicidade.” (Canteiros – Raimundo Fagner)

4) Parênteses ( ( ) )

a) Isolar palavras, frases intercaladas de caráter explicativo e datas.
Exemplo: Na 2ª Guerra Mundial (1939-1945), ocorreu inúmeras perdas humanas.

“Uma manhã lá no Cajapió (Joca lembrava-se como se fora na véspera), acordara depois duma grande tormenta no fim do verão. (O Milagre das chuvas no Nordeste – Graça Aranha)”

5) Ponto de exclamação ( ! )

a) Após imperativo.
Exemplo: Cale-se!

b) Após interjeição.
Exemplo: Ufa! Ai!

c) Após palavras ou frases que denotem caráter emocional.
Exemplo: Que pena!

6) Ponto de Interrogação ( ? )

a) Em perguntas diretas.
Exemplo: Como você se chama?

b) Às vezes, juntamente com o ponto de exclamação.
Exemplo:
-Quem ganhou na loteria?
-Você
-Eu?!

7) Ponto e Vírgula ( ; )

a) Separar os itens de uma lei, de um decreto, de uma petição, de uma sequencia, etc.
Exemplo: Art. 127 – São penalidades disciplinares:

I – advertência;
II – suspensão;
III – demissão;
IV – cassação de aposentadoria ou disponibilidade;
V – destruição de cargo em comissão;
VI – destruição de função comissionada. (cap. V das penalidades Direito Administrativo)

b) Separar orações coordenadas muito extensas ou orações coordenadas nas quais já tenham tido utilizado a vírgula.
Exemplo: Criança, foi uma garota sapeca; moça era inteligente e alegre; agora mulher, madura, tornou-se uma doida.

Exemplo: Na linguagem escrita, é o leitor; na linguagem falada, o ouvinte.
A vírgula entre “escrita” e “é o leitor” é opcional e entre “falada” e “o ouvinte” também.

Exemplo: Estes edificam, aqueles destroem; estes sobrem pelos degraus da honra, aqueles outros descem.

Exemplo: Para destacar palavras estrangeiras, palavras arcaicas, gírias,

Exemplo: ” O rosto de tez amarelenta e feições inexpressivas, numa quietude apática, era pronunciadamente vultuoso, o que mais se acentuava no fim da vida, quando a bronquite crônica de que sofria desde moço se foi transformando em opressora asma cardíaca; os lábios grossos, o inferior um tenso (…) “(O visconde de Inhomerin – Visconde de Taunay).

8) Travessão ( – )

a) Dar início à fala de uma personagem.
Exemplo:
O filho perguntou:
-Pai, quando começarão as aulas?

b) Indicar mudança do interlocutor nos diálogos.
Exemplo:
– Doutor, o que tenho é grave?
– Não se preocupe, é uma simples infecção. É só tomar antibiótico e estará bom.

c) Unir grupos de palavras que indica itinerário.
Exemplo: A rodovia Belém-Brasília está em péssimo estado.

d) Também pode ser usado em substituição à vírgula em expressões ou frases explicativas.
Exemplo: O homem – diga-se de passagem – é egoísta.
Exemplo: Xuxa – a rainha dos baixinhos – será mãe.

9) Aspas ( ” ” )

a) Isolar palavras ou expressões que fogem à norma culta, como gírias, estrangeirismos (palavras de origem estrangeira), palavrões, neologismos (palavras novas), arcaísmos (palavras antigas) e expressões populares.
Exemplo:
Maria ganhou um apaixonado “ósculo” do seu admirador.
A festa na casa de Lúcio estava “chocante”.
Conversando com meu superior, dei a ele uma “feedback” do serviço a mim requerido.

b) Indicar uma citação textual.
Exemplo: “la viajar! Viajei. Trinta e quatro vezes às pressas, bufando, com todo o sangue na face, desfiz e refiz a mala”. (O prazer de viajar – Eça de Queirós)

Obs: Se dentro de um trecho já destacado por aspas, se fizer necessário a utilização de novas aspas, estas serão simples ( ‘ ‘ ).

10) Vírgula ( , )

É usada para marcar uma pausa do enunciado com a finalidade de nos indicar que os termos por ela separados, apesar de participarem da mesma frase ou oração, não formam uma unidade sintática.
Exemplo:  Lúcia, esposa de João, foi ganhadora única da Sena.

Podemos concluir que, quando há uma relação sintática entre termos da oração, não se pode separá-los por meio de vírgula.

Não se separam com vírgula:

  1. predicado de sujeito ou vice-versa;
  2. objeto de verbo;
  3. adjunto adnominal de nome;
  4. complemento nominal de nome;
  5. predicativo do objeto do objeto;
  6. oração principal da subordinada substantiva (desde que esta não seja apositiva nem apareça na ordem inversa)

A vírgula no interior da oração

É utilizada nas seguintes situações

a) separar o vocativo.
Exemplo: Maria, traga-me uma xícara de café.
Exemplo: Educação, meus amigos, é fundamental para o progresso do país.

b) separar aluns apostos.
Exemplo: Valdete, minha antiga empregada, esteve aqui ontem.

c) separar o adjunto adverbial antecipado ou intercalado.
Exemplo: Chegando de viagem, procurarei por você.
Exemplo: As pessoas, muitas vezes, são falsas.

d) separar elementos de uma enumeração.
Exemplo: Precisa-se de parceiros, serventes, mestres-de-obras.

e) isolar expressões de caráter explicativo ou corretivo.
Exemplo: Amanhã, ou melhor, depois de amanhã podemos nos encontrar para acertar a viagem.

f) separar conjunções intercaladas.
Exemplo: Não havia, porém, motivo para tanta raiva.

g) separar o complemento pleonástico antecipado.
Exemplo: A mim, nada me importa.

h) isolar o nome de lugr na indicação de datas.
Exemplo: Belo horizonte, 26 de janeiro de 2001.

i) separar termos coordenados assindéticos.
Exemplo: “Lua, lua, lua, lua, por um momento meu canto contigo compactua…” (Caetano Veloso)

j) marcar a omissão de um termo (normalmente um verbo)
Exemplo: Ela prefere ler jornais e eu, revistas. (omissão do verbo preferir)

j-1) Temos coordenados ligados pelas conjunções e, ou, nem dispensam o uso de vírgula.
Exemplos:
Conversaram sobre futebol, religião e política.
Não se falavam nem se olhavam.
Ainda não me decidi se viajarei para Bahia ou Ceará.

j-2) Entretanto, se essas conjunções aparecerem repetidas, com a finalidade de dar ênfase, o uso da vírgula passa a ser obrigatório.
Exemplos: Não fui nem ao velório, nem ao enterro, nem à missa de sétimo dia.

A vírgula entre orações

É utilizada nas seguintes situações:

a) separar as orações subordinadas adjetivas explicativas.
Exemplo: Meu pai, de quem guardo amargas lembranças, mora no Rio de Janeiro.

b) separar as orações coordenadas sindéticas e assindéticas (exceto as iniciadas pela conjunção e).
Exemplo: Acordei, tomei meu banho, comi algo e saí para o trabalho. Estudou muito, mas não foi aprovado no exame.

b-1) Há três casos em que se usa vírgula antes da conjunção “e”:

  • 1) quando as orações coordenadas tiverem sujeitos diferentes.
    Exemplo: Os ricos estão cada vez mais ricos, e os pobres, cada vez mais pobres.
  • 2) quando a conjunção “e” vier repetida com a finalidade de dar ênfase (polissíndeto).
    Exemplo: E chora, e ri, e grita, e pula de alegria.
  • 3) quando a conjunção “e” assumir valores distintos que não seja de adição (adversidade, consequência, por exemplo).
    Exemplo: Coitada! Estudou muito, e ainda assim não foi aprovada.

c) separar orações subordinadas adverbiais (desenvolvidas ou reduzidas), principalmente se estiverem antepostas à oração principal.
Exemplo: “No momento em que o tigre se lançava, curvou-se mais; e fugindo com o corpo apresentou o gancho.” (O Selvagem – José de Alencar)

d) separar orações intercaladas.
Exemplo: “- Senhor, disse o veloho, tenho grandes contentamentos em estar plantando…”

Essas orações poderão ter suas vírgulas substituídas por duplo travessão.
Exemplo: “Senhor – disse o velho – tenho grandes contentamentos em a estar plantando…”

e) separar as orações substantivas antepostas à principal.
Exemplo: Quanto custa viver, realmente não sei.

11) Crase ( ` )

Não se usa a crase diante de nomes próprios que não admitem o artigo. Se o nome próprio indica localização geográfica, uma regra prática para verificar a utilização correta da crase consiste em substituir o verbo da sentença pela expressão “voltar de “. Se resultar a expressão “voltar da”, a crase deve ser utilizada; caso contrário, não.
Exemplo: Eu vou à Bahia. (Eu vou “voltar da” Bahia)
Exemplo: Cabe às Pessoas. (Cabe “voltar das” pessoas.)
Exemplo: Isto leva a paradoxos. (Isto leva “a voltar de” paradoxos)

Pode se usar também “AO” lugar de “VOLTAR DE”, às vezes faz mais sentido, veja como é a lógica do “AO”:
Exemplo: Eu vou ao Bahia. (Eu vou à Bahia), Não deu certo então usa crase.
Exemplo: Cabe aos pessoas. (Cabe às Pessoas), Não deu certo então usa crase.
Exemplo: Isto leva aos paradoxos. (Isto leva a paradoxos), deu certo então usa crase.

Não se usa Crase antes de um verbo no infinitivo.
Exemplo: a invadir, a iludir.

Não se usa Crase quando o artigo significar até.
Exemplo: de 5 a 8 de abril às 19h. (de 5 até 8 de abril às 19h.)

Referências Bibliográficas:

Ferreira, Adriana da Silva (2009). Língua Portuguesa. Notas de Aula, 2009.

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